Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Março 16 2010

(Temático)


 

O ideal romântico feminino

fez-te vibrar

pelo porte majestoso

e alvos rostos

mas no teu escrever muito alexandrino

logo reagias a esse marulhar

impetuoso

lembrando de imediato a tísica

mergulhada em doença e desgostos.


 

Poeta-pintor desta cidade em expansão

tão tua e tão distante…

mas sempre de ti inseparável.

Pintaste a debilidade física

com o realismo da tua visão.

Mas o campo com o seu bucolismo

também enterneceu

esse teu sentir tão próprio.

DE TARDE, tudo tu Naturalismo

o campo soubeste bem enaltecer

em macios seios como rolas

enfeitados com ramos rubros de papoulas.


 

Lisboa, 12 de Março de 2010

Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:21

Março 16 2010

 (Temático) 

 

MOTE

 

 Naquele pic-nic de burguesas,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandeza,

Em todo o caso dava uma aguarela.


GLOSA


 Sentei-me numa mesa de café

Pleno de belas donas portuguesas

Senti-me desfasada, sem ter pé

Naquele pic-nic de burguesas,


 

Mas entre os sussurrares maliciosos

Murmurando mal desta e bem daquela

No meio de rires espalhafatosos

Houve uma coisa simplesmente bela,


 

A mais sofisticada, toda destreza

Num gesto natural e muito dela

E que, sem ter história nem grandeza,


 

Mostrava o anel de pedra preciosa.

Eu pensei duma forma bem jocosa:

- Em todo o caso dava uma aguarela.


 

Lisboa, 11 de Março de 2010

Liliana Josué


 


 


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:18

Março 16 2010

I

Naquela madrugada

Quando tudo dormia

Ninguém sabia de nada

Nem o boato corria


 

II

Os cravos eram aos mil

Na boca de um canhão

Era o vinte e cinco de Abril

Rebentava a Revolução


 

III

Os quartéis de prevenção

Alerta das Forças Armadas

Para darem à Nação

As liberdades sonhadas


 

IV

Liberdade para os presos

Que a PIDE encarcerou

E a censura das palavras

Que o Governo arrebatou


 

V

Grândola Vila Morena

Era o sinal a canção

Que cantou o Zeca Afonso

Para informar a Nação


 

VI

Um vendaval que passou

Em noite de tempestade

Um praça se matou

Com medo da liberdade


 

VII

Uma gaivota voou

Para o Norte e Para o Sul

Portugal então ficou

Com o céu bem mais azul


 

Elisa Claro Vicêncio

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:14

Março 16 2010

“AMÁLIA”: Tu foste o canto e a poesia,

Uma musa da eterna melodia…

De Portugal foste a Deusa e a canção;

Como fadista nasceste abençoada,

Representante fiel da pátria amada,

Berço altivo da terna devoção…


 

Por este mundo cantaste os destinos

Nos encantos libertos… femininos…

Livre nau navegando sem amarras.

Foste uma musa perfeita e encarnada,

Tu foste ainda glória e fé apaixonada,

Com sons comoventes das guitarras.


 

Ao mesmo tempo eras a dor e o pranto

Num badalar de sinos… doce encanto

E que soavam nos umbrais da terra boa

E por Coimbra se expandia a voz divina

Como uma aragem macia, doce e fina,

Vagando de norte a sul até Lisboa.


 

Em verdade era “AMÁLIA” o próprio fado,

Doce poema de amor – apaixonado –

Fonte pura das águas da emoção…

Por este mundo a luz feita verdade

E hoje é essa fonte de saudade,

Choram por ti: o amor e a inspiração.


 

“In memoriam” de AMÁLIA RODRIGUES

a Rainha do Fado.


 

Carlos Moreira da Silva

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:11

Março 16 2010

I

Quem sofre de mal de amor

Também se pode curar

E o remédio melhor

É amar amar amar


 

II

Eu dei-te uma caixinha

Em forma de coração

Eu quero que sejas minha

Ó minha rosa em botão


 

III

S. Valentim eu te peço

Arranja-me um namorado

No amor e no progresso

Meu coração tem falhado


 

IV

No dia dos namorados

Vou-te dar meu coração

Trata-o com mil cuidados

Ele é muito malandrão


 

V

O meu coração de ouro

Brilha como uma estrela

Vou dar-te esse tesouro

Que é a prenda mais bela


 

VI

S. Valentim vem cá baixo

Vem cá baixo sem demora

Para veres os namorados

Beijarem-se a toda a hora


 

VII

Meu Santo S. Valentim

Ai de mim que estou perdida

Meu amor fugiu de mim

Digo mal da minha vida


 

VII

Passarinho beija-flor

Vem cantar ao meu jardim

Vem trazer o meu amor

Em dia de S. Valentim


 

Elisa Claro Vicêncio

Postado por Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:06

Março 16 2010

Na nossa já longa vida,

em que…,

já quase tudo conhecemos,

mantemos na vida contida,

e na nossa mente retida,

algo que bem conhecemos;

Guardamos na nossa mente,

algo que o tempo desmente,

de algum calor recebido;

Tempo passado a esmo,

truque que foi sempre o mesmo,

na direcção e sentido.


 

O tempo vai passando,

e nós pela estrada caminhando,

sempre com destino a um pódio;

Abrasados por grande calor,

recordando, talvez um grande amor,

que queremos transformar em ódio;

Nunca vi as rosas do seu jardim,

ou suas pétalas caídas;

Mas, terá sempre em mim,

os espinhos das despedidas;

Guarde bem os risos da sua felicidade,

e quando estiver arrependida,

que pense um minuto na vida,

e que, pela primeira vez… , fale verdade.


 

Mas, guardar o quê?...

Nada se enxerga ou se vê,

nos nossos cinco sentidos;

Não se esqueça de guardar,

sem nada reclamar,

os seus próprios gemidos;

Guarde o brilho do seu olhar,

se alguma vez teve beleza;

Deixe o tempo passar,

vai por muitos anos recordar,

o olhar e as suas névoas de tristeza;

Esqueça o caminho já andado,

e pense no que lhe falta caminhar;

Pode não ter sido uma beleza,

mas, pode ter a certeza,

que, com alguma tristeza… ,

o vai ter mesmo de trilhar.


 

Armindo Fernandes Cardoso

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 21:59

Março 16 2010

 

Foi-se o outro, veio este,

já tens agora dois dias,

para já, nada perdeste,

nem tiveste arrelias;

Mas não rias de contente,

mal assentaste arraiais,

estás ainda no teu presente,

e estão bem longe os teus natais;

Tem calma… ,

não te precipites,

tu és ainda um bebé,

ninguém te reza pela alma,

e, só o farão,

sem ilusão… ,

quando já andares pelo teu pé.


 

Mas isso… ,

breve vai acontecer,

o Povo,

vai deixar de te chamar Ano Novo,

e, sem desengano,

vai chamar-te apenas ano,

e como tal irás morrer.

E depois… ,

acabou-se a “lenga lenga”,

uma nova vida vais conhecer,

e, mesmo sem qualquer prenda;

Ano Novo… , Vida Velha!

lindo nome tu vais ter.


 

Não adivinho o teu destino,

és ainda muito pequenino,

mas vais passar por desenganos,

como aconteceu aos outros anos,

que como tu, viram a luz;

Esperamos que tenhas sorte,

e que, dias antes da tua morte,

possas ver nascer Jesus.


 

2/1/2010


 

Armindo Fernandes Cardoso

Postado por Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 21:50

Março 16 2010

 

M O T E
Naquele Pic-Nic de burguesas
Houve uma coisa simplesmente bela
É que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
(Cesário Verde)
 
T R A D I Ç Ã O

 
Num jardim dum palacete
um convívio cumpria a tradição.
Imperava o perfume dos frutos suculentos;
ananazes, melancias....
e os odores que as tendinhas exalavam
convidavam à prova d'iguarias.
Ao calor dos beijos e abraços
juntavam-se francas gargalhadas.
As gargantas mitigavam as securas
e os espíritos esqueciam as agruras,
numa sangria adocicada.
Fora de portas, se os havia, ficaram os ardis.
Era perfeito o colorido da paisagem
em que se ostentavam os rubis,
os brilhantes e turquesas
naquele Pic-Nic de burguesas.

 
No verde esperança do relvado
o amor dava sinal.
Dois jovens enamorados
comprometiam-se para a vida
ao som da marcha nupcial.
Ela amorosamente embevecida.
Ele, qual cavaleiro em busca do graal,
perdeu a altivez por um momento.
Curvou e de joelho em terra
ali a pediu em casamento.
Um sim determinado,
um beijo apaixonado
e um anel selaram o noivado.
Entre a galhofada tagarela
houve uma coisa simplesmente bela.

 
A elegia do amor
É a melhor das sobremesas,
um sublime mundo maior;
É que, sem ter história nem grandezas!

 
Impulsos do coração sempre enobrece,
alavanca que nos move por inteiro.
Não podemos prever o que ele tece
quando surge um sentimento verdadeiro.
Transpondo o momento para a tela
em todo o caso dava uma aguarela.

Oeiras, 2010/0316
Virgínia Branco
publicado por virginiabranco às 11:48
editado por mariaivonevairinho em 20/03/2010 às 03:28

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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